Peeling químico: tipos, indicações e o que esperar do procedimento | Dra. Julia Ribar
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Procedimentos

Peeling químico: tipos, indicações e o que esperar do procedimento

Peeling químico dermatológico tipos e indicações

O peeling químico é um dos procedimentos mais antigos da dermatologia estética e, ao mesmo tempo, um dos mais mal compreendidos. Muita gente ainda associa a palavra peeling a descamação intensa, afastamento social e recuperação longa. Mas a realidade é que existe uma variedade enorme de peelings, com profundidades, indicações e tempos de recuperação completamente diferentes. O segredo está em escolher o tipo certo para o objetivo certo.

O que é um peeling químico?

O peeling químico consiste na aplicação controlada de ácidos sobre a pele para promover a renovação celular. Ao induzir uma esfoliação química nas camadas determinadas pelo tipo de ácido e pela sua concentração, o procedimento estimula a pele a produzir novas células, colágeno e uma superfície mais uniforme.

O princípio é o mesmo em todos os tipos: causar uma lesão controlada para obter uma regeneração qualificada. O que muda é a profundidade dessa lesão, e é essa variável que define tudo: o resultado, o tempo de recuperação e quem pode fazer.

No peeling, profundidade e resultado andam juntos. Mas profundidade e recuperação também. Esse é o equilíbrio que o dermatologista calibra para cada paciente.

Os tipos de peeling e suas profundidades

Tipo
Características e indicações principais
Superficial
Age na epiderme. Sem ou mínima descamação. Indicado para uniformização, brilho, acne leve e manutenção. Retorno imediato às atividades.
Médio
Atinge a derme papilar. Descamação visível por 5 a 7 dias. Indicado para fotoenvelhecimento, manchas, melasma e acne moderada. Recuperação de 7 a 10 dias.
Profundo
Atinge a derme reticular. Resultado expressivo em rugas e cicatrizes. Recuperação de 2 a 3 semanas. Requer preparo, anestesia e acompanhamento rigoroso.

Quais ácidos são usados?

Ácido glicólico

O mais utilizado em peelings superficiais. Tem a menor molécula dos hidroxiácidos, o que garante boa penetração mesmo em baixas concentrações. Excelente para uniformização, luminosidade e renovação da pele oleosa e com tendência à acne.

Ácido mandélico

Molécula maior, penetração mais lenta e gentil. Ideal para peles sensíveis, melasma e fototipos mais altos, pois tem menor risco de hiperpigmentação pós-inflamatória. É frequentemente combinado com outros ácidos para potencializar o resultado.

Ácido tricloroacético (TCA)

O principal ácido usado em peelings médios. Altamente versátil, pode ser aplicado em concentrações variadas para alcançar diferentes profundidades. Tem longa história de uso e evidências sólidas para fotoenvelhecimento, manchas e textura.

Ácido salicílico

Um beta-hidroxiácido com propriedade lipofílica, ou seja, consegue penetrar no interior dos poros e dissolver o sebo acumulado. É o ácido preferencial para peles oleosas, acne inflamatória e comedões. Também tem ação anti-inflamatória.

Ácido retinoico

Derivado da vitamina A, o ácido retinoico em formulação para peeling age com profundidade moderada e tem efeito despigmentante relevante. É muito utilizado no protocolo de melasma e fotoenvelhecimento.

O que esperar antes, durante e depois?

Antes do procedimento

Para peelings médios e profundos, o pré-preparo é fundamental. Isso costuma incluir o uso de retinoides tópicos por semanas antes da sessão, que deixam a pele mais homogênea e responsiva, além da suspensão de alguns ativos esfoliantes que poderiam aumentar a sensibilidade. Para peelings superficiais de manutenção, o pré-preparo é mínimo ou dispensável.

Durante o procedimento

A sensação durante a aplicação do ácido varia de acordo com o tipo de peeling. Peelings superficiais costumam causar apenas uma leve ardência passageira. Em peelings médios, a sensação de calor e formigamento é mais intensa, mas dura apenas os minutos de aplicação. O dermatologista neutraliza ou remove o ácido no tempo adequado.

Depois do procedimento

O pós-peeling superficial não exige restrições relevantes. Para peelings médios, a pele passa por vermelhidão, tensão e descamação progressiva ao longo de 5 a 10 dias. Durante esse período, o protocolo de cuidados é simples mas rigoroso: hidratante e protetor solar, sem esfoliação, sem exposição ao sol. O resultado final se consolida após algumas semanas, quando a pele nova está completamente formada.

Quem pode fazer peeling químico?

A maioria dos fototipos pode se beneficiar do peeling, desde que o tipo de ácido e a profundidade sejam escolhidos corretamente. Peles mais escuras exigem mais cuidado com ácidos que aumentam o risco de hiperpigmentação pós-inflamatória, sendo o ácido mandélico e o salicílico os mais seguros para esses casos. Gestantes, pacientes com herpes ativa na área ou em uso de isotretinoína oral recente precisam aguardar antes de realizar o procedimento.


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